A Aldeia Zé Brito recebeu, neste sábado (30), uma aula especial da Universidade da Maturidade (UMA), reunindo caciques, anciãos, jovens e acadêmicos do Polo de Tocantínia em um encontro marcado pela troca de conhecimentos, valorização cultural e fortalecimento dos vínculos intergeracionais.
A programação teve início com uma visita a uma área de cerrado localizada na entrada da aldeia. Durante o percurso, a cacique e anciã Isabel Xerente apresentou aos participantes diversas espécies vegetais, destacando a importância das plantas do cerrado para a saúde, a alimentação e a preservação da cultura do povo Akwe Xerente. O grupo também conheceu mudas plantadas por representantes de diferentes países ligados a universidades e organizações que desenvolvem ações voltadas ao envelhecimento humano.
Anfitriã do encontro, a cacique, mestra e anciã Isabel Xerente compartilhou a história da Aldeia Zé Brito, relembrando as lutas, conquistas e mobilizações realizadas ao longo dos anos por ela e seu esposo para garantir a fundação da comunidade e a implantação de melhorias para seus moradores. Em sua fala, ressaltou ainda a importância da preservação dos conhecimentos tradicionais relacionados às plantas medicinais e aos recursos naturais do cerrado.
O evento contou com a participação do coordenador do Polo da UMA em Tocantínia, professor mestre André Goveia, acompanhado pelos professores mestres Marcos Swuate, Solimar Alves e Orcimar Amorim. Durante a abertura oficial, André Goveia destacou a relevância dos princípios que norteiam a Universidade da Maturidade, idealizada pela Dra. Neila Bruñsi e pelo Dr. Luís Sinésio Neto, enfatizando a valorização dos conhecimentos acumulados ao longo da vida e a importância da participação ativa das pessoas idosas no desenvolvimento da sociedade.
O professor Marcos Swuate ressaltou que a Universidade da Maturidade Indígena tem como propósito promover uma educação para o envelhecimento baseada na convivência e na troca de experiências entre diferentes gerações, fortalecendo o diálogo entre indígenas e não indígenas e valorizando, especialmente, os ensinamentos dos anciãos Akwe Xerente.
Outro momento importante foi a palestra ministrada pelo cacique e ancião João Xerente, que abordou a cosmologia indígena e os valores ancestrais que orientam a vida do povo Akwe, destacando sua relevância para a preservação cultural e para a construção de uma sociedade mais consciente e respeitosa.
O professor André Goveia coordena o pólo da Universidade da Maturidade Indígena em Tocantínia.
A programação contou ainda com a palestra do professor Orcimar Amorim sobre a temática “Dor e Luto”, trazendo reflexões sobre as diferentes formas como esses processos são vivenciados pelos povos e os aprendizados que podem proporcionar ao longo da vida.
Já o professor Solimar Alves abordou a importância da educação política e social para o envelhecimento humano, enfatizando a necessidade de compreender as transformações físicas, sociais e psicológicas dessa etapa da vida, bem como conhecer os direitos garantidos pela legislação brasileira, especialmente aqueles previstos no Estatuto da Pessoa Idosa.
O encontro foi encerrado com cânticos tradicionais Akwe Xerente, reunindo todos os participantes em uma celebração coletiva da vida, da ancestralidade e dos saberes transmitidos entre gerações. A atividade reforçou o compromisso da Universidade da Maturidade com a valorização da diversidade cultural, do envelhecimento ativo e da preservação dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas.





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