terça-feira, 8 de setembro de 2026

Conhecendo os labirintos do caos na literatura de Maria Félix Fontele

A escritora tocantinense Maria Félix Fontele


Por Giovanna Monteiro

Labirintos do caos (Mondru Editora), de Maria Félix Fontele, é um livro de ficção especulativa movido pela tensão entre a natureza e o artificial, memória e esquecimento, desencanto e esperança, em contos cujas personagens comuns atravessam situações dúbias e inquietantes.

A obra está dividida em cinco eixos:

1. IDENTIDADE EM COLAPSO: memória, esquecimento e instabilidade do eu. Esse eixo conecta tecnologia, emoção e filosofia em uma mesma camada. Os contos falam de identidade, passado, dor, reconstrução e pertencimento, a partir de perguntas sem respostas simples.

2. O LIMITE DO HUMANO: tecnologia, controle e transformação da existência. Os sensores, implantes, IAs e experiências simuladas não aparecem como espetáculo futurista, mas como extensões de desejos humanos: melhorar, controlar, evitar sofrimento, prolongar vínculos. O conflito surge quando essas extensões começam a alterar o que se entende por experiência humana.

3. MUNDO EM RUPTURA: natureza, território e colapso silencioso. Esse eixo desloca o olhar do indivíduo para o coletivo, mostrando que o caos não está apenas no futuro tecnológico, mas também na relação entre humanidade e planeta. Os elementos naturais — terra, rios, florestas, ciclos — são estruturas vivas que carregam história e pertencimento.

4. NORMALIZAÇÃO DO ABSURDO: poder, delírio e violência cotidiana. Esse eixo revela uma das camadas mais incômodas do livro: a percepção de que o caos não depende de grandes eventos, mas da naturalização progressiva do absurdo. A tensão central está na fragilidade da consciência coletiva: o quanto uma sociedade precisa ceder para deixar de reconhecer o próprio limite?

5. RESISTÊNCIA SENSÍVEL: afeto, melancolia e permanência do humano. Se os outros eixos organizam o colapso, este organiza aquilo que resiste a ele. Em meio à fragmentação, à tecnologia e à instabilidade, o livro mantém uma pergunta constante: o que ainda é possível sentir? O afeto aparece como espaço frágil, mas persistente, mantendo a ambiguidade entre desencanto e permanência.

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