sábado, 7 de março de 2026

Cultura movimenta R$ 387,9 bilhões e emprega 5,9 milhões de brasileiros, aponta IBGE

 

O Comitê de Cultura no Tocantins destaca a importância dos dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a 5ª edição dos Diálogos SNIIC, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC). Segundo o levantamento mais recente do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), a cultura brasileira emprega atualmente cerca de 5,9 milhões de pessoas e movimenta R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia — o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números reforçam que a cultura não é apenas expressão simbólica e identidade, mas também vetor estratégico de desenvolvimento econômico e geração de renda no país. De acordo com os dados do IBGE, em 2022 o Brasil contabilizava 644,1 mil organizações culturais formalmente constituídas, responsáveis por empregar 2,6 milhões de pessoas. A massa salarial do setor chegou a R$ 102,8 bilhões, com remuneração média mensal superior à média nacional.

O levantamento considera não apenas as artes em sentido estrito, mas também atividades ligadas à economia criativa, como produção audiovisual, fabricação de mídias, softwares, equipamentos e serviços associados. Com esse recorte ampliado, a cultura representa 6,8% do total de empresas do país e 4,2% do pessoal ocupado formalmente. Em 2023, as atividades culturais somaram R$ 910,6 bilhões em receita líquida, evidenciando a capilaridade e o dinamismo do setor.

Dados

Para o Comitê de Cultura no Tocantins, os dados reafirmam a necessidade de fortalecer políticas públicas estruturantes, que ampliem oportunidades de formalização e sustentabilidade econômica, especialmente nos estados da Região Norte.

Apesar da relevância econômica, o setor cultural ainda enfrenta forte informalidade. Em 2024, a cultura reuniu 5,9 milhões de trabalhadores, o equivalente a 5,8% do total de ocupados no país. No entanto, 44,6% atuavam em ocupações informais, e 43% trabalhavam por conta própria. O levantamento revela ainda um dado significativo: 30,1% dos trabalhadores da cultura possuem ensino superior completo — percentual superior à média nacional —, mas ainda assim enfrentam vínculos precários de trabalho.

As desigualdades regionais também são expressivas. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro apresentam maior participação do setor no total de ocupados, enquanto unidades da Região Norte registram índices mais baixos, evidenciando a necessidade de políticas descentralizadas e territorializadas.

Para o coordenador-geral do Comitê de Cultura no Tocantins, Kaká Nogueira, esses dados dialogam diretamente com a realidade local, onde muitos trabalhadores e trabalhadoras da cultura atuam como microempreendedores individuais ou em formatos autônomos, demandando mecanismos mais eficazes de proteção social e estímulo à formalização.

Preços, acesso e cultura digital

O estudo também apresentou o Índice de Preços da Cultura (IPECult), que registrou variação inferior ao índice geral de inflação entre 2020 e 2024, sugerindo relativa estabilidade nos preços de bens e serviços culturais. Outro destaque é o avanço do acesso digital: cerca de 90% da população com 10 anos ou mais utilizou a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Entre as práticas culturais online mais frequentes estão assistir a vídeos, ouvir músicas ou podcasts e ler notícias ou livros digitais.

Para o Comitê, o crescimento do consumo cultural mediado por plataformas digitais reforça a importância de investimentos em conectividade, formação tecnológica e democratização do acesso, especialmente em comunidades periféricas, rurais e tradicionais.

Patrimônio, turismo e economia criativa

Os dados também apontam a relevância do turismo cultural e de natureza. Em 2024, foram registradas cerca de 1,7 milhão de viagens motivadas principalmente por cultura e gastronomia, além de 1,5 milhão com foco em natureza, ecoturismo e aventura. O levantamento evidencia o potencial estratégico do patrimônio histórico, cultural e natural como indutor de desenvolvimento sustentável e geração de renda nos territórios.

Comitê

O Comitê de Cultura no Tocantins é resultado de uma parceria entre a Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC), a Associação Gurupiense de Artesãos (AGA) e o Instituto Social Cultural Araguaia (ISCA). Com sede em Palmas, o comitê faz parte do Programa Nacional de Comitês de Cultura do Ministério da Cultura e conta com representações regionais: uma em Gurupi, que cobre as regiões sul e sudeste do estado, e outra em Araguaína, responsável pela atuação no norte do Tocantins.


OPINIÃO – Um episódio, muitos cancelamentos e poucas reflexões, sobre a inclusão nas escolas de Gurupi



Por Gilberto Correia da Silva

A polêmica gerada pela fala da diretora da Escola Municipal de Tempo Integral Odair Lúcio, em Gurupi, ao se referir ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) como “transtorno da moda”, provocou uma reação imediata e intensa nas redes sociais, nas tribunas políticas e nos grupos de debate da cidade. A diretora foi duramente criticada, atacada e praticamente “cancelada”.

É necessário dizer, sem rodeios, que a fala foi infeliz e inadequada. Uma educadora, ainda mais ocupando cargo de direção, precisa ter sensibilidade e responsabilidade ao tratar de um tema tão delicado e que envolve famílias, crianças e profissionais da educação.

Mas há um problema ainda maior. A sociedade gurupiense parece ter descoberto agora que existem centenas de crianças com Transtorno do Espectro Autista na rede municipal de ensino.

O caso expôs algo que há muito tempo precisa ser discutido com seriedade. A inclusão escolar não se resolve com discursos, notas oficiais ou números apresentados em relatórios.

A gestão municipal afirma que a rede conta com 24 salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), professores especialistas, profissionais de apoio e uma equipe multidisciplinar formada por coordenação, supervisão, assistentes sociais e psicólogas, acompanhando cerca de 400 estudantes com diagnóstico de TEA.

A estrutura é importante e merece reconhecimento. Porém, uma pergunta precisa ser feita com honestidade. Essa estrutura consegue realmente atender todas as escolas e todos os alunos que necessitam desse acompanhamento?

A matemática da realidade escolar mostra que a situação é mais complexa do que parece. Importante ressaltar que esse não é problema exclusivo de Gurupi, mas, via de regra, em todo o Brasil, possivelmente com raras exceções.

Em Gurupi, segundo a nota da prefeitura, são cerca de 400 alunos diagnosticados espalhados por diferentes escolas da rede municipal. Ainda que existam 24 profissionais especialistas ou salas de AEE, é evidente que essa equipe não consegue atuar em todas as unidades ao mesmo tempo.

Na prática, o que muitas vezes acontece é que um aluno com necessidade específica acaba esperando atendimento especializado ou, em alguns casos, o problema precisa ser enfrentado por algum professor “designado” para a função, que nem sempre possui a formação adequada para lidar com determinadas situações.

Outro ponto pouco discutido é que nem todos os casos de TEA são iguais. O espectro autista possui diferentes níveis e características. Cada criança apresenta necessidades próprias, exigindo acompanhamento individualizado, paciência, conhecimento técnico e suporte contínuo.

Quando existe um número maior de alunos em determinada escola, a atuação da equipe especializada costuma ser, ou deveria ser, mais frequente. Mas quando há apenas um ou dois alunos com essa condição em determinada unidade, o atendimento muitas vezes se torna mais espaçado, e o professor da sala regular precisa lidar praticamente sozinho com o desafio.

Isso não é uma crítica isolada a profissionais da rede. Pelo contrário. Muitos professores enfrentam essa realidade diariamente, com dedicação, boa vontade e esforço pessoal, muitas vezes sem o suporte necessário.

Outro aspecto que também precisa ser tratado com equilíbrio é o papel da família. Sem generalizar, é verdade que existem famílias profundamente comprometidas com o acompanhamento de seus filhos. Mas também existem situações em que a escola acaba recebendo toda a responsabilidade pela educação, cuidado e disciplina da criança, como se fosse possível transferir integralmente para a instituição aquilo que também precisa ser trabalhado dentro de casa.

A escola tem responsabilidade educacional e inclusiva, mas a família continua sendo o primeiro espaço de formação da criança. Portanto, reduzir todo esse debate a um episódio isolado ou a uma única fala equivocada é simplificar demais um problema complexo.

Também chama atenção a postura de alguns setores políticos que rapidamente ocuparam tribunas e redes sociais para condenar a diretora, muitas vezes sem sequer conhecer de perto a realidade das escolas. Em tempos de redes sociais e proximidade eleitoral, infelizmente não são poucos os que transformam qualquer crise em palco de visibilidade e engajamento digital.

Criticar é fácil. Difícil é visitar escolas, conversar com professores, acompanhar o cotidiano de uma sala de aula inclusiva ou passar algumas horas observando o desafio real de atender alunos com diferentes necessidades.

Da mesma forma, uma capacitação anual isolada não transforma automaticamente um professor em especialista em educação inclusiva. Inclusão exige formação contínua, acompanhamento pedagógico, apoio psicológico, presença constante de profissionais especializados e políticas públicas que funcionem de fato no cotidiano escolar.

Dar vaga em sala de aula não resolve o problema por si só. Inclusão verdadeira não é apenas matricular o aluno. É garantir que ele tenha condições reais de aprender, se desenvolver e conviver.

Por isso, este episódio precisa servir como ponto de partida para uma discussão séria e responsável. A diretora poderia, sim, ter demonstrado mais sensibilidade ao tratar do tema. Mas a crise revelou algo maior, que o desafio da inclusão escolar em Gurupi é mais profundo do que muitos imaginavam.

Não se trata apenas de defender ou condenar alguém. Trata-se de encarar a realidade.

A inclusão verdadeira exige compromisso de todos, sejam gestores públicos, professores, especialistas, famílias e sociedade. Porque, no final das contas, estamos falando de crianças que não precisam de polêmica. Precisam de estrutura, preparo, respeito e cuidado real. E as professores e professores, também. 


Gilberto Correia da Silva – Professor Aposentado, jornalista, escrito






Obra de Eliosmar Veloso é destaque em encenação teatral do IFTO, em Gurupi



Por Henrique Drummond - Fotos: Divulgação

Fonte:  Jornal Cocktail

Na sexta-feira (6), os estudantes da 2ª série do Curso Técnico em Teatro do  Instituto Federal do Tocantins - IFTO/Campus Gurupi, apresentaram um espetáculo  teatral baseado na obra literária “Janela da Liberdade”, do escritor gurupiense Eliosmar Veloso. 

O evento fez parte das culminâncias das leituras realizadas na aula de Língua Portuguesa/Literatura, ministrada pela professora Dra. Solange Cavalcante de Matos, em que os estudantes leram obras clássicas do período literário Romantismo e expuseram suas leituras e análises por meio de gêneros diversificados, como teatro, podcasts, entrevistas e mesas redondas. 

De acordo com a professora Solange, a obra “Janela da Liberdade” foi escolhida devido a sua qualidade literária e por se encaixar perfeitamente nas características da escola literária estudada, além de apresentar temática relacionada ao patriarcalismo e à luta da mulher por sua liberdade diante de uma sociedade machista e opressora em meados do século XX.

 


Formação crítica

“Essa obra de Veloso,  contribui para a formação crítica dos estudantes e para uma reflexão sobre essa temática na contemporaneidade”, destacou a professora.

Presenças ilustres

Para abrilhantar  a apresentação, os estudantes foram brindados com a ilustre presença do autor do livro, Eliosmar Veloso, que contribuiu participando de uma breve roda de conversa abordando detalhes sobre o livro.

Quem também marcou presença prestigiando a apresentação foi o festejado poeta e jornalista Zacarias Martins, membro-fundador da Academia Tocantinense de Letras (ATL) e da Academia Gurupiense de Letras (AGL), uma das maiores referências da literatura tocantinense contemporânea, que elogiou   o evento.