sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sobre Dora e Dores é exibido para a comunidade do Assentamento Piracema



O longa-metragem SOBRE DORA E DORES, dirigido por Bell Gama e Kaká Nogueira, foi prestigiado por moradores da zona rural da cidade de Marianópolis, interior do Tocantins. A exibição é parte do projeto: “Produção de Longa Metragem de Ficção” patrocinado pela Lei Paulo Gustavo (Lei 195/22) por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Tocantins e, que agora parte para a carreira de pré-lançamentos e distribuição focado em janelas de festivais, mostras e em seguida deve entrar em exibição em salas de cinema do todo o país, tvs e streaming, com primeiras exibições já no segundo semestre de 2026.

A produção audiovisual teve 80% de suas filmagens realizadas no Assentamento Rural PA Piracema em setembro de 2025. O filme, do gênero drama, tem duração de 120 minutos e classificação indicativa de 14 anos. Ambientada no sertão nortista das décadas de 1970 e 1980, a narrativa acompanha Dona Cota, personagem interpretada por Marcélia Cartaxo, benzedeira e carpideira que, na velhice, torna-se mãe por adoção de Dora, uma menina órfã. A história aborda a transmissão de saberes, os vínculos construídos fora do laço sanguíneo e o enfrentamento cotidiano das dores e perdas em comunidades rurais.

Durante a exibição  do projeto Kaká Nogueira destacou  que  a comunidade local participou ativamente e de diversas formas, com a atuação de mais de 100 figurantes e atores locais, do núcleo principal,  “vale ressaltar que se trata de pessoas que nunca antes havia tido contato com o universo do cinema”, enfatizou Nogueira.

Morador do Assentamento, Karliel Santos,  12 anos,  viveu o protagonista infanto-junvenil “Dedé da Pinhola” na primeira fase, ele relatou “me emocionei muit com o filme e não vejo a hora de assistir também lá no cinema, que nunca fui, vai ser a minha primeira vez. Eu gostei muito de participar das filmagens, nunca esperava que um dia ia poder.”

Bell Gama enfatizou a participação dos moradores na execução do filme, “um lugar de gente muito simples, que teve a rotina afetada com a chegada da produção de Sobre Dora e Dores, sabemos que foram muitas contribuições para a comunidade, na economia, principalmente, mas também exigiu que as pessoas colaborassem com silêncio durante as filmagens, que tolerassem o aumento do fluxo de carros nas ruas, etc.

Ela acrescentou que produzir um longa-metragem no Tocantins é ainda um enorme desafio estrutural, e isso só foi possível graças ao incentivo do governo federal, por meio da Secretaria Estadual da Cultura, sem esse investimento, seria inviável realizar um filme desse porte. Sobre Dora e Dores é um filme que tem a ousadia como marca, e, ao mesmo tempo que impulsiona o cinema tocantinense, alavanca a literatura, sendo o primeiro longa-metragem originário de uma obra literária, isso é marcante para a nossa cultura. Para Kaká Nogueira Nogueira, rodar essa história no Tocantins é mais do que uma escolha estética. “É uma afirmação de pertencimento. O sertão nortista guarda memórias que precisam ser contadas, e o cinema é um instrumento potente para preservá-las e compartilhá-las com o mundo”, complementa ele.

Projeto

O projeto é uma iniciativa do Grupo Cenaberta, em parceria com a Cena Filmes, patrocinada por edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo (LPG), via Secretaria Estadual da Cultura (Secult) e Ministério da Cultura (MinC). O projeto conta ainda com apoio institucional da Prefeitura de Marianópolis; da Prefeitura de Pium e da Fundação Cultural de Palmas – FCP.



Comitê de Cultura no Tocantins promove roda de conversa em Gurupi

 


 

Por Zacarias Martins
Fotos: Letícia Japiassu


Na noite desta sexta-feira, 6 no palco do Centro Cultural Mauro Cunha, em Gurupi, foi realizada uma roda de conversa com a Agente Territorial de Cultura, Denise Nunes Brito e que teve como público-alvo os povos e comunidades de terreiro, os agentes culturais, educadores, artistas, gestores públicos e toda pessoa que caminha no respeito à ancestralidade, à diversidade cultural e aos direitos coletivos.

O evento foi mais uma iniciativa integrada ao calendário de ações  do Comitê de Cultura no Tocantins, por meio de sua regional sul/sudeste.


Espaço de diálogo
A  coordenadora do Comitê de  Cultura na região, Maria do Socorro Barros, explicou que essa ação buscou  criar um espaço de diálogo, escuta e reflexão sobre a Política Nacional para os Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana, a partir dos desafios enfrentados nos territórios locais, fortalecendo o reconhecimento cultural, a valorização dos saberes tradicionais e o acesso aos direitos culturais, com mediação da Agente Territorial de Cultura.


Abertura cultural
Já a Agente Territorial de Cultura, Denise  Nunes Brito destacou a importância de se buscar mecanismo que  venham a permitir a abertura para  um  círculo de escuta e de  palavras para reconhecer os saberes dos povos de terreiros  e refletir sobre seus desafios no território, ao mesmo tempo,  fortalecer a cultura ancestral como direito, presença e caminho de resistência coletiva para o respeito às  pessoas que fazem parte desse grupo.


Sobre a Agente Territorial de Cultura
Denise Nunes  Brito é artista e educadora, formada em teatro, com atuação em arte educação, performance, escrita criativa e projetos culturais. Sua trajetória une criação artística, ensino e pesquisa, com trabalhos voltados à memória, identidade, formação docente e participação cultural.


Comitê de Cultura
O Comitê de Cultura no Tocantins é resultado de uma articulação entre a Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC), a Associação Gurupiense de Artesãos (AGA) e o Instituto Social Cultural Araguaia (ISCA). A organização tem sede em Palmas e integra o Programa Nacional de Comitês de Cultura, do Ministério da Cultura, contando ainda com representações regionais em Gurupi — responsável pelas regiões sul e sudeste — e em Araguaína, que atende o norte do estado.